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Robôs que falam de Deus – Parte 2

  • Foto do escritor: O Granjeiro
    O Granjeiro
  • 3 de ago. de 2018
  • 4 min de leitura


arte de @matheus.ogalha

Touch – Faixa 7

Confesso que inicialmente não gostava muito dessa música, mas o tempo passou e ela se tornou minha preferida do álbum. Não é algo que se escuta com os amigos ou que toca nas lojas do shopping, é algo que se aprecia sozinho em meio ao silêncio, dando total atenção. Não é composta com uma estrutura comum de refrães e estrofes que se repetem. “Touch” ao longo dos seus 8 minutos de duração conta uma história linear, uma odisseia.

Lembro até hoje do dia em que fisguei sua aplicação espiritual. Estava deitado em minha cama, equipado com fones de ouvido e olhando para o teto. Ao longo da experiência meus olhos se fecharam, vi imagens extraordinárias. Depois que se abriram estavam marejados.

“Touch” inicia com uma ambientação sonora que te leva a algo semelhante a uma nave espacial. Lá, novamente uma voz robótica diz algumas palavras, porém dessa vez ela traz medo.

Toque

Toque, eu me lembro do toque

Toque

Toque, eu me lembro do toque

Faminto como uma tempestade

Toque, eu preciso de algo a mais

Eu me lembro do toque

Eu preciso de algo mais em minha mente

Esta voz é a mesma da música anterior, mas deteriorou-se ao longo de sua busca pelo Alguém. Conforme o tempo passa, a voz fica cada vez mais assombrosa e o som ambiente se torna incômodo. O crescente musical é cortado num instante e substituído por uma voz suave, calma, humana. O cantor é Paul Williams (quem gosta de Muppets sabe de quem estou falando) e esta transição de voz é importantíssima para o entendimento da trama.

Toque, eu me lembro do toque

Imagens vieram com o toque

Um pintor em minha mente

Diga-me o que você vê

Um turista num sonho

Parece um visitante

Uma canção esquecida pela metade

A voz humana não é de outro ser, mas sim da voz inicial que se transformou repentinamente. Esta metamorfose proveio do “Toque”. Imagens aleatórias são descritas, vindo daí o nome do álbum que em português seria algo como “Memórias de acesso aleatório”. É visto um pintor: por que não Deus? Aquele que através das pinceladas de sua voz criou o mundo em uma semana. Como a voz diz, “uma canção esquecida pela metade” demonstra que estes lapsos não são suficientes para seu entendimento. Suas perguntas não foram saciadas e sua busca continua.

De onde eu pertenço?

Diga-me o que você vê

Eu preciso de algo a mais

Ele clama ao Alguém por mais imagens e novamente é tocado, tendo mais visões.

Beijo, de repente vivo

Chega a felicidade

Faminto como uma tempestade

Como eu começo?

Uma sala dentro de uma sala

Uma porta atrás de uma porta

Toque, onde você me levará?

Eu preciso de algo a mais

Diga-me o que você vê

Eu preciso de algo a mais

Este trecho demonstra a alegria de sua busca por respostas. A felicidade chega acompanhada do beijo, faminta como uma tempestade. Em seguida uma referência é feita à música anterior quando é dito sobre diversas salas e portas. Desta vez a impressão é que elas estão se abrindo, podem ser exploradas.

Enquanto a voz narra sua jornada, os instrumentos ao fundo tornam-se cada vez mais vibrantes. Aos 3min20s há uma explosão de euforia e os sentimentos são colocados para fora. A voz lembrou-se de onde veio. É imagem e semelhança de Deus e sua função é descrita em Gênesis 1:28:

“E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra.”

Da mesma forma como Deus é criador e mantenedor de todo o universo, a voz (que agora assume o papel de todos os seres humanos) havia recebido no passado o dever de cuidar da Terra sendo cópia de Deus.

Por volta dos 4min30s, a voz volta a ser robótica. É que ela despertou da visão divina. Diversas vezes ela exclama a seguinte frase:

Aguente firme, aguente firme

Se o amor é a resposta você está em casa

O amor neste trecho não é um sentimento, é uma pessoa. 1 João 4:8 afirma “[...] Deus é amor” e a voz experimenta isto na prática. O amor é a resposta para seus questionamentos e estar ao Seu lado é a chave para a compreensão de todas as coisas.

Conforme a frase é repetida a voz aprende mais com Deus. Novamente os instrumentos começam a crescer, mas desta vez em tom de suspense. É que a voz se lembrou do pecado. Imagens de guerra, fome, desastres naturais; tudo vem à mente. Resta apenas os instrumentos, a voz se cala. Tomado por uma tristeza aguda entende que a maldade provém do afastamento do amor, do afastamento de Deus.

Em meio ao cenário de pura tristeza, a esperança surge. Vozes angelicais começam a cantar gradativamente aos 6min30s. O que elas falam? O mesmo que a voz exclamava anteriormente.

Aguente firme, aguente firme

Se o amor é a resposta você está em casa

Os anjos consolam a voz. Apresentam o plano da redenção onde o filho de Deus deixa seu trono, encarna como homem, vive humildemente, é tentado, desprezado pelos seus, traído, açoitado e finalmente morto pelo próprio povo. Por volta dos 7min35s os instrumentos de corda se elevam num crescente angustiante. Pintam através de notas a imagem do cadáver de Deus num madeiro.

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

João 3:16

O barulho ensurdecedor se transforma em total silêncio. Deste vazio a voz humanizada surge novamente. Ela canta:

Toque, amável toque

Você me dá muito para sentir

Toque amável

Você quase me convenceu de que sou real

Eu preciso de algo a mais

Eu preciso de algo a mais.


Matheus Ogalha

 
 
 

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