top of page
Buscar

Robôs que falam de Deus – Parte 1

  • Foto do escritor: O Granjeiro
    O Granjeiro
  • 25 de jul. de 2018
  • 3 min de leitura


Arte de @matheus.ogalha

Em 2013 através da música “Get Lucky” conheci a dupla francesa Daft Punk. Desde então aprecio seus trabalhos não só musicalmente, mas também por sua jogada de marketing visual: não se apresentam como humanos e sim como robôs. Através desta temática implantada desde o segundo álbum (Discovery), algumas de suas músicas trazem questionamentos filosóficos um tanto quanto peculiares. A letra do sucesso “Harder Better Faster Stronger” faz uma crítica à indústria que explora as pessoas em benefício próprio. Num trecho da música é dito:

Trabalhe mais duro, faça melhor

Faça mais rápido, nos faça fortes

Mais do que nunca, hora após hora

O trabalho nunca acaba

A forma como a música é construída fortalece seu conteúdo. Os verbos estão no modo imperativo e dão alusão a comandos dados a uma máquina, além disso as batidas de prato se assemelham ao som de martelos trabalhando constantemente. Estamos programados, assim como robôs, para benefício dos poderosos.

O terceiro álbum (Human After All) em minha opinião é o mais fraco produzido pela dupla, porém seu ponto positivo é justamente trabalhar a temática de robôs pensantes. Faixas como “Human After All”, “The Prime Time of Your Life”, “Television Rules the Nation” e outras trazem novamente estas questões. A incômoda “Technologic” é como uma repetição da já comentada “Harder Better Faster Stronger”. Se a primeira critica a exploração trabalhista, a segunda critica o consumo desenfreado de tecnologia.

Em 2006 a dupla resolveu explorar outra faceta da arte: o cinema. O curto, mas maçante “Electroma” contendo pouco mais de 1h20min parece durar uma eternidade. Apesar do ritmo lento, possui cenas memoráveis. Seu conteúdo é o ápice do que venho falando desde então pois a história se baseia na dupla de robôs em busca de se tornarem humanos, consequentemente adquirindo emoções. Essa busca pode ser retratada na última faixa do terceiro álbum chamada “Emotion”. São quase 7 minutos de música onde uma voz robótica repete infindavelmente a palavra, que em português, significa “emoção”.

Em 2013 lançaram seu quarto álbum de estúdio (Random Access Memories) e conquistaram 5 grammys, sendo a maior obra prima da dupla. A temática continua, mas agora com uma profundidade que para mim atinge níveis espirituais (sendo este meu foco a partir de agora). Irei comentar em específico sobre 3 faixas deste álbum e farei uma aplicação pessoal não sendo ela o que de fato a dupla queria dizer, mas o que interpretei através de minha experiência cristã.

Within – Faixa 4

Esta música é o início da jornada. Em meio à instrumentação calma uma voz melancólica demonstra extrema confusão. Seu conflito é interno.

Há tantas coisas que eu não entendo

Há um mundo dentro de mim que eu não consigo explicar

Muitas salas para explorar, mas as portas parecem as mesmas

Estou perdido, não consigo nem mesmo lembrar meu nome

Quem sou eu? De onde vim? Para onde vou? Três questões pertinentes que em algum momento a maioria das pessoas já fez. A voz metálica apresenta tais questionamentos nesta batalha contra si mesmo. Aparentemente as respostas já haviam sido dadas, mas algum problema de memória a fez esquecê-las. A voz não lembra de seu próprio nome.

Estive por algum tempo

Procurando por alguém

Eu preciso saber agora

Por favor, me diga quem eu sou?

A voz procura por alguém. Ela tem dentro de si um desejo ardente o qual não sabe muito bem de onde vem. Será que foi programado com este instinto de busca? Em minha interpretação pessoal, este alguém é Deus. Desde os primórdios da raça humana sempre houveram diversas crenças em algo superior manifestado através da religião. Com raríssimas exceções, todos os povos buscaram algo superior. No âmago do ser humano existe o desejo ardente de buscá-lo, mas por que tal busca? A própria voz responde: “Por favor, me diga quem eu sou?”

É Deus o provedor de tais respostas.


Matheus Ogalha

 
 
 

Comentários


bottom of page