(poesia sem título)
- O Granjeiro

- 22 de abr. de 2018
- 2 min de leitura

Daqui, consigo ver este meu mundo;
Apenas reinam trevas. Cada ser
Se exulta em continuar aqui a manter-se
Sujo, infecto, entojado, lixo imundo.
Matam, morrem, destroem e se deixam
Destruir. Não há certo nem errado,
Mas só a exaltação do eu, treinado
Para o mal. Meus demônios são quem mandam.
Mas o peso de tudo quem carrega
Sou eu, e talvez fosse mais sensato
Subverter a mi’a vida de imediato.
Destarte, a morte há de tomar-me a cárrega.
Daqui, consigo ver estes Meus mundos:
Apenas reinam trevas, sofrimento,
a dor, o desespero e o vil tormento.
Estes são os sentimentos mais profundos.
Não vejo quem suporte aqui ficar
Por tanto tempo, que daqui as promessas
Se mostraram, aquelas, priores que estas
Esperanças dest’ era secular.
É por isso que existe a água ou o fogo,
Agentes do juízo, destruição;
E quiçá fosse mais fácil, então,
Que os desfizesse o meu verbo logo.
Mas o peso da morte, quem levou
Fui Eu. Pendi a balança pra que reta
Ficasse: a justiça e o amor. Meta
Conforme à que o profeta proclamou:
“Aos aflitos da terra não será
Mais escuridão, pois a quem habita
E anda nas trevas boas novas dita-lhe:
Luz, da sombra da morte, brilhará!
“Pois Tu quebraste o jugo que pesava
Sobre eles. O cetro que feria
E a vara do senhor que os oprimia
Destruíste com tua inquebrável clava.
“Porque um menino nos nasceu. Nos apraz
O filho que se nos deu. Domínio estará
Acima de seus ombros. Chamar-se-á
Maravilhoso e Príncipe da Paz.”
Daqui, consigo ver este meu mundo.
Não mais apenas trevas que aqui reinam.
Apesar da haver os que no mal teimam,
Regozijo do Cristo me é oriundo.
O rio de sangue flue da Cruz, carmim,
E apesar disso, quando em mim se entorna,
As folhas do futuro, negras, torna-as
Brancas mais uma vez, limpas enfim.
Posso ter esperança, finalmente,
que haverá vida. ‘Té este dia, então,
da minha boca verte esta oração:
“Torna a mim, Pai, de teu sangue, vertente.”
Mateus F. Cordeiro




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