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Ovos de chocolate caros e suco de uva de graça

  • Foto do escritor: O Granjeiro
    O Granjeiro
  • 5 de abr. de 2018
  • 3 min de leitura

Print DIY "ovinhos de cimento" dos Gorskerz

Outro ano, outro abril, outra páscoa, e apesar de toda a crise política e o incansável fora Temer, o que indignou de verdade foram os preços absurdos dos ovos de páscoa nesse ano, se antes já estava difícil confiar no governo, com esse aumento nos abençoados chocolates vai ficar impossível. Inevitavelmente o mês começa com o cheiro de chocolate no ar, o conhecimento do seu sabor na nossa boca, o brilho dos nossos olhos sempre que passamos por debaixo das várias fileiras de ovos no supermercado imaginando como será o gosto de cada um (e só imaginando mesmo, porque o gosto que vai ficar na boca será dos amargos preços). Um mês especialmente feito para os chocólatras que qualquer desculpa é uma boa para comprar um chocolate.

No entanto, a história dos ovos doces e caros é recente e confabulada comparada ao pão e suco de uva de graça. Estudante de colégios cristãos, sempre que chegava essa doce data, ao invés de recebermos chocolate, recebíamos um pãozinho acompanhado de um suco de uva integral e uma ovelhinha de pelúcia, e apesar de achar o símbolo muito mais bonito, o chocolate era uma opção tão mais gostosa!


Em uma breve pesquisa sobre os ovos de páscoa e o símbolo do coelho associado à essa data, descobri que a prática da troca de ovos começou muito antes do cristianismo ser criado. A prática veio dos povos europeus, especialmente da parte onde hoje se situa a Alemanha. A primavera era associada à uma deusa que trazia a fertilidade e com isso as flores, alimentos e tudo relacionado à nascimento e vida. Então, quando começava a época da primavera as pessoas trocavam ovos, e nos ovos eles desenhavam um coelho que por ser o primeiro animal que procriava quando a primavera chegava ficou associado à ideia de fertilidade. Com o surgimento do cristianismo, a páscoa começou a ser celebrada coincidentemente na mesma época em que esses povos europeus celebravam essa prática da troca de ovos. Foi aí então que as duas celebrações se misturaram e quando os europeus vieram para o Novo Mundo, o significado da páscoa já estava muito longe do que ela realmente representa.




Mas afinal, e o pão com o suco de uva? A celebração da páscoa começa muito antes de Jesus. Começa no Egito com um povo escravizado esperando que o Grande EU SOU os libertasse daquela servidão. Através de Moisés a história da libertação começa (Êxodo 3-15). Um pouco antes de serem libertos da escravidão, o Senhor disse que o povo precisava fazer uma festa que iria através das gerações lembrar as pessoas de como o Grande EU SOU libertou seu povo.

Mas longe de significar somente a libertação do seu povo em uma época específica, a páscoa apontava para uma liberdade muito adiante, um livramento muito maior e mais profundo que só aconteceria com a vinda de Cristo. Na festa eles deveriam comer a carne de um cordeiro e aspergir seu sangue nos umbrais das portas. A carne deveria ser preparada com ervas amargas e comida com pão sem fermento. Como toda as outras partes da Bíblia essa também tem um significado. A carne simbolizava o corpo de Cristo e a vida que recebemos através do seu sacrifício, as ervas amargas representava todos os anos amargos de escravidão que o povo passou no Egito e o fermento tirado do pão significava o pecado, que assim como pedido na festa da páscoa, devemos tirar da nossa vida (Os Escolhidos p. 181-182).


Mas o que nós em 2018, vivendo em uma época de liberdade, temos a ver com isso? Para nós a páscoa aponta para a morte do Filho do Homem, que não foi só para um povo específico em uma época específica, mas para a humanidade inteira. Muito além da simbologia, a páscoa deveria nos lembrar nossa liberdade.


Liberdade essa que veio de graça para nós através da morte de Alguém que nos lembra que por mais amarga que seja nossa vida aqui, doce é a recompensa de saber que já fomos libertos pelo sacrífico dAquele que nos ama incondicionalmente. Em um mundo onde os sabores vibrantes nos chamam, é difícil lembrar do suco de uva e do pão que saciam nossa fome e sede, nos libertam de grilhões que nos perseguem dia e noite e nos fazem ter esperanças no amanhã.

Muito diferente dos ovos de páscoa que para receber existe um preço, o pão e suco de uva vieram com um preço tão incomparável que nós os recebemos de graça, e através da graça. Sem discrepâncias entre ricos e pobres, Cristo morreu por cada um de nós individualmente, basta aceitarmos o doce sabor de Seu sacrifício.


Débora Dantas

 
 
 

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