O PIOR DO HOMEM O MELHOR DE DEUS
- O Granjeiro

- 3 de abr. de 2018
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Atualizado: 3 de abr. de 2018

O sofrimento existe. A morte existe. Deus existe. Três fatos aparentemente controversos, que nos fazem questionar. Como Deus é bom, onipresente e benevolente, a própria existência dEle é incompatível com a existência do mal. Epicuro, há quase 2.700 anos atrás, já se fazia o questionamento dos séculos. Os cristãos facilmente responderam essa dificuldade: “Deus não pode ter criado o mal. O Mal não é um fim em si mesmo, é apenas a contrafação do bem. A ausência daquele que é o próprio bem. A existência do mal provêm única e exclusivamente a partir da liberdade das criaturas em querer afastar-se da fonte do bem. E se Deus coibisse TODAS as consequências do mal (sofrimento, morte), ele seria de fato sádico, pois estaria coibindo a liberdade da criatura em viver o mal”.
O sofrimento existe. A morte existe. Deus existe. O paradoxo ou sua refutação não mudam a verdade terrível e incontestável das consequências do mal. Independente das escolhas erradas de suas criaturas, quanto Deus, como um ser absolutamente benevolente e justo pode observar suas criaturas livres sofrendo? Onde está Deus no sofrimento?
Por acaso alguém teria a ousadia de se perguntar onde estava Deus no momento onde todo o universo se prostrou pra contemplar a execução de sua Ira perfeita contra seu próprio filho, a própria extensão da sua existência, o único homem que jamais pecou? Não só não nos questionamos, como explicamos na ponta da língua: o pecado que Cristo carregou circundou-o de tal forma, que o impossibilitou de ouvir a voz de Deus. E conosco, não seria diferente? Não somos nós que, mesmo após termos escolhido o sofrimento, ou na pior das hipóteses, sofrido as consequências das escolhas de outros, nos enfiamos de tal forma no mal a ponto de não querermos discernir o bem? Não somos nós que amamos o sofrimento? Porque nos questionamos quando ele chega?
Valdecir Lima, em “O pior do homem, o melhor de Deus”, expôs perfeitamente o paradoxo mais inconcebível presente na cruz. A única saída pra salvar uma humanidade que ama o sofrimento. É usar do sofrimento para salvar, a vergonha pra dar glória, usar da morte pra dar vida. É o momento onde a Graça se revela de sua forma mais louca e ensandecida: até mesmo a escolha de morte que o homem fez é anulada, quando o sofrimento vira primeiramente redenção, a rebeldia vira o cumprimento da própria Lei, a morte vira ressurreição. E não há nada que possamos fazer para não sermos salvos. Por que Ele precisa nos amar primeiro para que possamos aprender como Amá-Lo. Só a partir daí, é que podemos de fato escolher. Nascemos perdidos pela natureza do pecado, mas salvos pela natureza de Cristo. E daí, quem nós adoramos, determina quem somos. Os caminhos pelos quais andamos, revelam quem é nosso Senhor. Se nós mesmos, ou se Ele.
O melhor do Homem de Nazaré se prostrou diante da maldade, tão fraca quanto o ódio, e foi capaz de tirar o aparente “pior de Deus” dEle mesmo, quando sua Graça o faz alcançar a sua benevolência até o limiar da Justiça; até onde seu julgamento perfeito permitiu que Ele, no que se provou ser de fato o seu melhor, usasse as próprias ferramentas do sofrimento e as ressignifique no maior símbolo de glória: a CRUZ, onde Deus matou a morte.




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